O Cruzeiro (originalmente Cruzeiro) foi uma revista semanal ilustrada brasileira, lançada no Rio de Janeiro, em 10 de novembro de 1928, editada pelos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Carlos Malheiro Dias foi seu diretor no período de 1928 a 1933, sendo sucedido por Antonio Accioly Neto e depois por José Amádio que, em 1960 imprimiu um novo design editorial que ficou conhecido como “bossa nova”.Foi a principal revista ilustrada brasileira da primeira metade do século XX. Deixou de circular em julho de 1975.
Estabeleceu uma nova linguagem na imprensa brasileira: inovações gráficas, publicação de grandes reportagens, ênfase ao fotojornalismo. Fortaleceu a parceria com as duplas repórter-fotógrafo, a mais famosa sendo formada por David Nasser e Jean Manzon que, nos anos 40 e 50, fizeram reportagens de grande repercussão.
Em 1941, O Cruzeiro também passou a ser o nome da Editora do grupo Diários Associados
A revista O Cruzeiro surgiu durante o governo de Washington Luiz Pereira de Souza. Foi um momento de grande migração do campo para a cidade, onde as indústrias tomavam o cenário do país e a ideia de urbanização e modernidade eram cada vez mais reforçadas pelos políticos e pelo jornalismo. Na década de 1950, foi feita uma pesquisa sobre como homens e mulheres consumiam revista e isso impactou diretamente na escolha da posição das seções de O Cruzeiro. Foi constatado que os homens começavam a ler pelo início que era onde ficavam as seções de política e notícias de capa e, as mulheres, que liam do final para o começo, se deparava com seções de crônicas ou de assuntos considerados femininos como beleza e cozinha.
Na década 1960, o Brasil tinha altos índices de analfabetismo, apesar disso, a O Cruzeiro tinha uma alta tiragem, chegando a 700.000 exemplares vendidos e quatro milhões de leitores por todo Brasil e no exterior. Na época a empresa Correios já estava bem estruturada no país, facilitando a chegada da revista em diversas partes do país.
Durante o governo de Getúlio Vargas, a revista divulgava intensamente a política modernista e nacionalista do presidente, abrindo espaço em suas páginas para propagação de novos eletrodomésticos, produtos de beleza e moda. A revista refletia a posição política de Chateaubriand que oscilava constantemente: primeiro, o apoio de Assis Chateaubriand à candidatura Vargas-João Pessoa ficou muito evidente com a disparidade na cobertura das campanhas na revista O Cruzeiro. Cerca de 8 páginas ilustradas foram dedicas à dupla sendo que os opositores tiveram que pagar para ter um pequeno espaço na revista.
Colaboradores
- Anita Malfatti
- Alceu Penna
- Austregésilo de Athayde
- Carlos Estêvão
- David Nasser
- Di Cavalcanti
- Djanira
- Enrico Bianco
- Érico Veríssimo
- Franklin de Oliveira
- Gilberto Trompowski
- Graciliano Ramos
- Humberto de Campos
- Ismael Nery
- Jean Manzon
- Jorge Amado
- José Araújo de Medeiros
- José Cândido de Carvalho
- José Leal
- Luciano Carneiro
- Manuel Bandeira
- Mário de Morais
- Murilo Gondim
- Millôr Fernandes
- Orlando Mattos
- Portinari
- Péricles
- Rachel de Queiroz
- Santa Rosa
- Ubiratan de Lemos
- Zélio(irmão de Ziraldo)
- Ziraldo
Conteúdo
Entre seus diversos assuntos, a revista O Cruzeiro contava fatos sobre a vida dos astros de Hollywood, cinema, esportes e saúde. Ainda contava com seções de charges, política, culinária e moda. Porém, havia também um grande destaque para a vida da elite jovem brasileira nas páginas da revista com matérias sobre bailes e festas escolares, diversão na praia, eventos esportivos (incluindo competições de estudantes e militares), concursos de beleza, fotos de modelos e entrevistas com jovens ricas. A revista também publicava contos de revistas estrangeiras sem dar os devidos créditos e ainda copiava as ilustrações. As seções de moda também era normalmente copiadas de revistas nova-iorquinas ou parisienses.
A revista possuía várias seções voltadas para o público feminino. A seção Da Mulher para Mulher, composta por cartas de conselhos da autora Maria Teresa, falava e ensinava as leitores sobre as responsabilidades das mulheres no casamento e nas tarefas domésticas, designava as diferenças entre os homens e mulheres e havia também conselhos de como favorecer o homem durante o sexo. Em geral, trazia os valores da sociedade da época Também existia a seção Garotas que era ilustrada por Alceu Penna e escrito por Edgar Alencar e, a partir de 1957, por Maria Luiza Castelo Branco. As histórias das garotas fizeram tanto sucesso que criou várias tendencias de moda e comportamento entre as jovens. As personagens viraram referências para as garotas da época. Consultório de Beleza,assinada por Elza Marzullo, cumpria o que o nome prometia, com dicas sobre cosméticos e beleza para mulheres e a seção Lar Doce Lar, assinada por Helena Sangirardi e Thereza de Paula Penna trazia receitas de culinárias para as leitores. Dona era uma seção que trazia as maiores tendências da moda de Paris, escrita por Mme. Thérèse Clemenceau que deixou seu endereço francês à dispor das leitoras para quaisquer dúvidas ou conselhos e A Moda em Hollywood divulgava as roupas mais usadas pelos famosos nos Estados Unidos.
As seções de humor também faziam grande sucesso na revista. No começo a revista trazia apenas charges ou ilustrações estrangeiras (seção A Caricatura no Estrangeiro) e só mais tarde passou a ter comediantes brasileiros. Millôr Fernandes estreou na seção humorística Poste Escrito com apenas 14 anos. Na década de 1940, Fernandes fez dupla com Péricles na seção Pif-Paf. Mas o maior sucesso foi a seção lançada em 1943, O Amigo da Onça, de Péricles que até rendeu brinquedos, enfeites, artefatos natalinos e bonecos de açúcar. A seção Estádio cobria competições esportivas como polo, futebol e hipismo e Cinelândia era seção dedicada as fofocas e vida dos artistas.
O Cruzeiro também tinha espaço para literatura, em Obras Primas eram lançados textos de Machado de Assis, Eça de Queiroz e Balzac. A revista também promovia concurso de contos e um dos seus primeiros ganhadores foi Guimarães Rosas, que se tornou um dos maiores escritores brasileiros. Para falar de arquitetura, a revista criou a seção Nossa Casa e sobre jardinagem tinha Nosso Jardim, Nossa Chácara. Já para falar de políticos no mundo a revista criou a Pelas Cinco Partes do Mundo e para divulgar eventos de políticos existia o Figuras e Factos da Semana.
Na pequena seção Pequenos Anúncios a revista divulgava endereços de comércios, horário de filmes no cinema e navios para Europa e Estados Unidos. As seções Consultório Médico e Consultório Jurídico eram dedicadas para tirar dúvidas dos leitores sobre esses assuntos. Outras seções que ficaram famosas foram Arquivos Implacáveis, Política nacional e Figuras e Fatos da História do Brasil.
Reportagens sobre a cobertura da inauguração do Cristo Redentor, em 1930, e reportagem sobre o conflito no Oriente médio (a primeira feita pela imprensa brasileira) foram um sucesso. Além disso, coberturas sobre concursos de belezas eram bem recorrentes, principalmente depois que a brasileira Yolanda Pereira venceu o Miss Universo. Entre os assuntos abordados pela revista também existiam coisas exóticas como receitas de ração para marrecos, guias de como cuidar de coriza de coelhos ou de inflamações em cascos de cavalo.
As propagandas também faziam parte da publicação chegando a ocupar de 30% a 35% de suas páginas. A melhoria na impressão de imagens coloridas ajudou muito a promover anúncios comerciais ou até matérias patrocinadas. Na versão da O Cruzeiro Internacional também tinham anúncios e, às vezes, acontecia da publicação trazer produtos só encontrados em São Paulo ou Rio de Janeiro, mesmo a revista sendo destinada para o exterior.
Fonte
https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Cruzeiro_(revista). Acesso em 13/06/19